CASAMENTO


Escrevi esse texto há exatamente um ano, para ser lido no casamento de um amigo que amo muito. Publico agora como um presente de Dia dos Namorados para os leitores.

“De tudo, meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa dizer do amor, que tive:
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure”

Eu gostaria de ter o gênio dos poetas para falar sobre o amor. Como não tenho, tomo emprestado suas palavras.
O texto acima é de Vinícius de Morais, brasileiro e nosso contemporâneo. Se chama “Soneto da Fidelidade”. Os próximos trechos fazem parte de um livro intitulado “A Arte de Amar”, do italiano Ovídio, que data no início da era cristã.
Nele o poeta dá bons conselhos aos casais:

“O Amor ainda jovem é inseguro,
o uso fortifica e o tempo o torna firme
se o apaixonado o souber alimentar


Se me acreditas, sejas tu quem fores,
na beleza enganosa não tenhas confiança.
Para além dos encantos corporais
alguma coisa mais alcança.
O que acima de tudo nos prende o coração
é uma hábil indulgência:
Que são o ódio e as implacáveis guerras
Se não frutos que a rudeza engendra?


Longe de nós as ásperas discussões
e os combates travados pelas línguas mordazes.
Doces palavras, eis o alimento
Que nutre o terno amor.


Não foi a lei que num só leito vos uniu.
Para vós, enamorados, a lei é o próprio amor.


Dizem que o amor é fero, e não duvido
que muitas vezes me há de resistir;
mas brando também é, por ser menino,
e talvez eu consiga dirigi-lo…”
Estes dois homens, tão distantes no tempo e no espaço, se dedicaram a falar sobre esse sentimento. E todos vocês devem conhecer muitos outros poemas e histórias sobre o amor. Muitas falam da alegria de ter alguém, outros da tristeza de perder… No entanto, não há quem passe pela vida imune a esta força.
Sublime ou dolorido, o amor sempre faz parte de nossas vidas.
Então, como vivemos a poesia do amor? A verdadeira poesia, não a dos livros, mas a de todas as manhãs.Essa consiste em ser doce com seu amado. Em ser generoso, nos bons e nos maus momentos. A poesia está no perdão e na gentileza, mais do quem em belas palavras. O verdadeiro amor é o que continua nas segundas feiras de manhã e nas noites de horas extras. A poesia, mesmo, é aquela que resiste ao peso dos anos.
Por isso, eu lhes desejo amor e muita, muita poesia para os dias de chuva e para os dias de sol.
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Sobre mafaldamaya

Garota meio verborrágica, meio não mais garota, meio nem sei mais...
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