SP

É verão

Um amarelo brilhante deveria

Estar lavando o céu lá fora

Mas minha cidade está cinza

E chora

 

Sou como a cidade

É verão na minha vida

Mas minha alma está cinza

E eu também choro

Sem dever chorar

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ESSA NÃO SOU EU

 

O que você quer de mim?

Quer chamego e colo?

Cuidados de mãe?

Quer minha pele fervendo

Grudada na tua?

Quer que eu me debruce na sua cama?

Que te acorde com carinhos?

 

Ou quer apenas a certeza

Mesquinha de que há alguém aqui?

Alguém tua, como um cão.

Esperando o que pode cair da tua mesa.

Essa não sou eu, saiba.

 

Estou mais pra gata do que cadela.

Na rua e na luta

Por mim.

Meu carinho é doce e sincero,

Meu corpo, quente e forte.

E posso ser mãe e ser puta, sim.

Posso ser tudo que alguém fantasiar!

Mas não me troco por migalhas,

Essa não sou eu.

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TEU RISO

Me encanta ouvir

A música do teu riso

Ruído doce no pé do ouvido

Embalando meu dia

Me fazendo lembrar

…a pele macia

…os dentes lindos

…o olhar de menino

Me fazendo perguntar

Por que ainda não fui tua?

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COCEIRA

Estou coçando

Pequenas sementes correm debaixo da pele

O vergão que forma mostra o caminho

Pra fora de mim

A lua me me chama

E preciso sair

Preciso rodar no meio do mato

Sentir a mata preencher meu vazio

Arrancar a nuvem que me embota a cabeça

Lavar você do peito, de baixo da cachoeira

O vento está mudando!

Estou empoleirada sobre a pedra

Sentindo o Sol

Sentindo o ar

Ouvindo o rio

Que vai tirar essa coçeira que sinto

De partir

De voar

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BOM PARTIDO

“I know I don’t deserve you

I wonder how I’m ever gonna hurt you

Bad girl, drunk at six

Kissing someone else’s lips

Smoked too many cigarettes today

I’m not happy when I act this way”

Madonna

 

“I told you I was trouble

You know I’m no good”

Amy Winnehouse

 

 

Esta já fui eu. Absolutamente certa de que não merecia o amor que me ofereciam.

Por ser desbocada, por não ser quietinha ou delicada me deram a personagem da “bad girl” e eu aceitei e carreguei essa personagem por anos. Sou a que fala com todo mundo, faz piada com sexo, ri alto. A que vai em todas as festas, que vai pro bar e brinca de vira-vira com os caras. Sou a que tem vários amigos homens. E a que ficou com muitos deles. Claro que eu sou a garota da diversão e não a do relacionamento sério, não é? Não, não é.

É bom perceber que pelo menos essa neura eu superei (kind of). No meio de todas as inseguranças que ainda fazem parte de mim e da minha auto estima de merda, fico feliz de ver que consegui fixar pelo menos um tijolinho de amor próprio.

Eu me acho um bom partido. Sério.

Estou longe de ser a namorada perfeita, mas trabalhei muito pra ser uma pessoa melhor e chegar onde estou hoje. Quando estou em um relacionamento sou honesta com meus sentimentos o máximo possível; sou compreensiva e carinhosa; não sou ciumenta; sou atenciosa e evito dramas a todo custo. Acima de tudo sou muito companheira e me atento para respeitar as individualidades e a privacidade do outro.

Acho que nem em entrevista de emprego eu cheguei em uma lista tão grande de qualidades que vejo em mim mesma. É muito desconfortável falar delas, parece que estou desobedecendo minha mãe. Mas acredito nisso tudo. Não porque sou foda e ponto, mas porque ralei muito pra construir cada uma dessas qualidades.

Tirando a falta de ciúmes (que é bem natural pra mim) eu não nasci com nenhuma dessas características. Meu primeiro ou meu segundo namorados não usufruíram delas e pelo menos uma eu só fui aprender com o último. Elas são fruto de um esforço longo e consciente para me tornar uma companheira melhor e é desse esforço que eu me orgulho. E muito. E sei que não preciso deixar de se quem eu sou (festeira, desbocada, extrovertida) pra segurar a onda dessas conquistas.

Ainda tenho muito latente a sensação de que não mereço ser desejada ou que se apaixonem por mim – que não mereço o interesse inicial. Mas já consigo me achar uma boa parceira. É o que tem pra hoje.

Ufa! Uma coisa a menos.

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FAZENDO VALER A PENA

Quero escrever de você

Para fazer valer a pena

Transformar a confusão em verso

Usar o avesso do que dói

E te embalar com o véu da distância

Mesmo que ainda não estejamos lá

Não que minhas palavras sejam tão boas

A ponto de salvar uma alma

Mas podem lavar a minha

E fechar nossa história

Pra começar de novo em outro lugar

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CORAÇÃO MOLE

É meu coração que está ficando velho,

Está ficando velho e se apaixona a toa.

Dominguinhos

 

Semana passada eu tomei outro baque no coração. Estou me sentindo uma adolescente besta porque me envolvi muito rápido. Me abri e me entreguei e me expus… e tomei na cabeça. Nos últimos 22 meses, por três vezes passei por este ciclo: me interessei por alguém e tentei reprimir; menti pra mim mesma o quanto pude; sonhei com a pessoa; baixei a guarda; ficamos (tempos diferentes em cada caso); me envolvi; me fodi. Parece que cada vez que eu me levanto acabo tomando outra rasteira.

Estou repetindo o mantra “vai passar, sempre passa”. E eu sei que é verdade. Sei desde minha primeira paixonite aos 11 anos. Mas é claro que nesta fase eu não quero que passe. Eu quero um milagre. Quero que a coisa dê certo dessa vez. Que eu seja escolhida e não rejeitada. De novo. Me resignar e esperar passar é a coisa madura a fazer. Mas cara… como ser madura é um saco! Eu quero me jogar no chão e espernear até um adulto vir me dar o que eu quero e tudo ficar bem.

Mas o adulto sou eu e não posso ter o que eu quero. E dói. Pra porra.

Fico pensando em como eu era durona antigamente. Com metade da idade que tenho hoje precisava de um trator pra mexer meu coração do lugar. E parece que ao invés de endurecer com o tempo eu fui é amolecendo. Só não consigo decidir se isso é bom ou ruim.

Será que o tempo me deixou mais carente? Será que hoje tenho mais medo da solidão? Não tenho dúvida que muitas das minhas certezas foram arrancadas pela raiz. Mas será que elas levaram junto as minhas raízes, a minha segurança?

Nessas últimas três vezes que ouvi um “não” tive que parar e tentar forçar a memória pra achar coisas boas que foram ditas pra mim. Tentar lembrar carinhos e elogios. Tentar lembrar que eu sou merecedora de amor e desejo – como qualquer pessoa. Tentar lembrar que eu sou amável e desejável. É um exercício que sai a fórceps, porque no momento parece que eu não tenho nada de bom pra oferecer. Mas isso não é verdade. Não pode ser verdade. (Eu gostaria que uma coisa tão comum como um fora não me fizesse questionar meu valor como pessoa, mas esse também é um processo lento pra mim).

Na maioria das vezes eu acho que só queria que as coisas dessem certo. (E vamos ignorar esse blá blá blá de “tudo vai ficar bem”, “se uma porta fecha é porque outra zzzzzzzz”. Dá certo quando a conclusão é agradável. A gente lida com o revés, mas bom mesmo é ser escolhida, ser aprovada, ser amada).

E às vezes eu queria voltar a ser durona, como era na adolescência. Queria me fechar de novo e não me expor. Queria aprender a jogar até. Só que então eu lembro que nada disso sou eu. Que dói pra caralho, mas que eu ainda acho que não vou conseguir me trancar de verdade.

Eu não jogo porque não acredito em tratar pessoas assim e acho que cada um vale a pena. Porque eu não acredito em relação sem entrega. Mesmo que seja uma noite, uma semana, seis meses. Eu não me coloco pela metade, não sei regular carinho nem fingir que não gosto e não quero trepar sem olhar nos olhos. Não sei levar a vida sem ser de peito aberto.

E no momento isso está doendo muito e parece que vou ser esmagada pela minha solidão. Mas acho que iria doer mais me forçar ser o que eu não sou.

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